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O amor não acaba

Por Marcelo Rubens Paiva via Pavablog

 

O amor acaba? O cara disse. Numa esquina, num domingo, depois do teatro e do silêncio, na insônia, nas sorveterias, como se lhe faltasse energia. Ele não volta? Não deixa rastro ou renasce? Na esquina em que se beijaram uma vez, lá está, na sombra apagada pela luz, na poeira suspensa, na revolta da memória inconformada.

 

Na solidão, lá vem ele, volta, com lamento, um quase desespero, e penso nos planos perdidos, que vida sem sentido... Na insônia, o amor cai como uma tonelada de lápide, e se eu tivesse feito diferente, e se eu tivesse sido paciente, e se eu tivesse insistido, suportado, indicado, transformado, reagido, escutado, abraçado? Na sorveteria, ele volta, o amor, em lembranças. Porque aquele sabor era o preferido dela, aquela cobertura era a preferida dela, aquela sorveteria era a preferida dela, aquela esquina, aquele bairro, aquele clima, aquela lua, aquele mês, aquela temperatura, aquela raça de cachorro, aquele programa de fim de tarde e aquele horário sem planos...

 

No elevador, quantas saudades daqueles segundos em silêncio, presos na caixa blindada, vigiados por câmeras camufladas, loucos para se agarrarem, rirem, apertarem todos os botões, tirarem a roupa, escreverem ao lado do Atlasado: “Eu te amo”. Saudades é amor. Não se tem saudades do que não se amou.

 

O amor não acaba, porque tenho saudades, me lembro dela, me preocupo com ela, torço por ela, e se sonho com ela, meu dia está feito. O amor não pode acabar, porque sem ela ou sem a esperança de revê-la, até a chance de tê-la de volta, não vejo a paz. Ela é uma trégua na minha guerra pessoal contra a minha paixão por ela. Amá-la me faz bem. Mesmo que ela não me ame, amo amá-la. Continuei amando desde o dia em que terminou. Passei meses amando como se não tivesse acabado. Ficaria anos amando mesmo se não tivesse voltado.

 

O amor não acaba, muda. O amor não será, é. O amor está. Foi. Nas tantas músicas que ouvimos, que dançamos colados, trilhas das noites frias em que você sentava em mim nua, enquanto os meus braços imobilizavam os seus. Amor. O não-amor é o vazio. O antiamor também é amor. Eu te amava quando você respirava no meu ouvido. Lembra do meu dedo dentro de você? Amo-te, amo-te, amo-te. Instante secreto, sua boca incha, seus olhos apertam, suas unhas me arranham e você diz: Eu te amo!

 

O amor acabou quando você se foi? Você sentiu saudades das minhas paredes, das cores das minhas camisas, da umidade da minha boca, do cheirinho do meu travesseiro, da minha torrada com mel, das noites pelados assistindo à tevê, dos vinhos entornados no lençol, do café da manhã com jornal, você sentiu falta de atravessar a avenida comigo de mãos dadas, de correr da chuva, de eu te indicar um livro, do cinema gelado em que vimos o filme sem fim, torcendo para acabar logo e ficarmos a sós, você sentiu falta da minha risada, inconveniência, de eu ser seu amante, noivo, amigo e marido, dos meus olhos te espiando, dos meus dentes mordendo e mastigando, ficou tanto tempo longe e pensou em nós especialmente bêbada ou louca, queria me ligar, me escrever, meu cheiro aparecia de repente, meu vulto estava sempre ali, acaba?

 

Diz que acaba. Como acaba? Não acaba. Diz, não acaba. Repete. Falei? Não acaba. Pode virar amor não-correspondido. Pode ser amor com ódio, paixão com amor. Tem o amor e o nada. Ah, mais uma coisa. Antes que eu me esqueça. O amor não acaba. Vira. Se acabar, não era amor.



Escrito por Emerson Bahia às 21h48
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Sobre reconciliação

Por Will no Blog Celebrai

 

Com o tempo nos apegamos aos pecados. Deixamos de olhar as pessoas; ficamos vidrados nas transgressões. Esquecemos o ser, esquecemos a vulnerabilidade humana, seu estado decaído, e nos “apaixonamos” pelos pecados.

 

Dizem por aí – o que não discordo – que Deus ama o pecador e abomina o pecado, mas por que tanto apego ao pecado em detrimento do pecador? Por que perdemos tanto tempo denunciando o pecado esquecendo-nos do pecador? Não é muita incoerência?

 

O Deus da reconciliação – revelado por/em Oséias – condena o pecado, mas ama e absolve o pecador, denuncia o erro, a idolatria, o afastamento, mas seu intuito é reaproximar e reconciliar.

 

Para nós humanos a reconciliação é reconhecimento. Conscientes de que erramos e erraremos, reconciliar é questão de inteligência, afinal quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra.

 

No Deus de Oséias temos um ser que trabalha a favor da reconciliação; não se cansa e não desiste – essa é a “marca” do amor invencível de Deus. Este amor é o que Ele deseja comunicar a nós, a fim de que hajamos como Ele; portanto, quando o homem reconcilia, age como Deus; “torna-se” Deus para o outro.

 

Qual é o nosso chamado em Cristo? Se não o de acreditar, viver e compartilhar o amor – e, portanto a reconciliação?

 

Deixemos o entorpecimento do pecado, do erro ou do vacilo, e, em favor do amor, voltemos atrás e digamos como o Deus-amado-traído-reconciliador em Oséias:

 

“Eu a plantarei para mim mesmo na terra; tratarei com amor aquela que chamei Não-amada Direi àquele chamado Não-meu-povo: Você é meu povo; e ele dirá: 'Tu és o meu Deus’." (Os 2:23)

 

Em Cristo, o Deus da reconciliação,

Will

 

(Baseado no segundo capítulo do livro do profeta Oséias).

P.S. E que assim seja em nossas vidas.



Escrito por Emerson Bahia às 14h15
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