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Não Mate os que Você Ama

Por Caio Fabio

 

A pior coisa que pode acontecer a uma amizade ou relacionamento... — é quando os amigos ou parceiros julgam que se conhecem mutuamente por completo; e, também, quando pensando assim, os anos se passam, e eles, por julgarem conhecer o outro, o congelam em um estado de imutabilidade...; e, desse modo, sem que se saiba o que outro quer..., já se o interpreta; ou quando não sabendo que algo nele mudou..., se o fixa por antecipação; ou quando amando o outro, se assume que nosso amor por ele é apesar dele, pois, não damos mais a ele o poder de nos surpreender..., apenas porque o tenhamos frisado numa bolha de amor fraterno ou relacional que já não o permita mudar aos nossos olhos.

 

É assim que as amizades vão morrendo e os casamentos vão ficando a mesma coisa... Sim, pois a história impõe vícios interpretativos!

 

A coisa boa de uma amizade é justamente a expectativa de mutabilidade para o bem... Por isto, verdadeiros amigos sempre se encontram esperando o melhor como surpresa fraterna.

 

O mesmo se pode dizer do casamento.

 

Quando os cônjuges perdem a esperança e alegria na possibilidade de que o outro cresça e mude, então, inicia-se o processo de falência do amor... Digo, não do amor mesmo, que tudo sofre e segue adiante... — mas falo do amor conjugal, que se alimenta também da alegria pela existência do outro; e, mais que isto: sempre espera que o bem não cesse na vida dele.

 

Na realidade, se há um ambiente no qual mais do que em qualquer outro não se deve julgar para que não se seja julgado, esse tal ambiente é o da amizade e o do casamento.

 

Entretanto, é justamente em tais/mesmos/ambientes que menos se leva á serio tal recomendação de Jesus.

 

Sim, pois é aí, pela suposta segurança e indissolubilidade do vínculo, que mais se julga, se interpreta e se projeta sobre o outro aquilo que não necessariamente nele esteja presente ou sequer em processo de existência.

 

“Segurança relacional”, seja pelo casamento ou pela amizade, não devem funcionar justamente para a realização do oposto: a ofensa, o julgamento, o sincericidismo, ou a impaciência que diz: “Já sei que tipo de coelho sai dessa mata...”

 

Todavia, é porque as pessoas se sentem “seguras”, que ofendem, julgam ou pré-definem o outro; e, depois, não sabem por que ambos vão ficando cada vez mais distantes... Todas as coisas sadias se alimentam de pequenas gentilezas.

 

Todas as coisas sadias, por mais intimas que sejam, guardam sempre um lugar para a parcimônia e o cuidado da não ofensa.

 

Todas as coisas sadias em um relacionamento se alimentam de cuidado e carinho... Todas as coisas sadias em um vínculo..., demandam e dependem do evitar das gritarias e das histerias que ofendem sem capacidade para retirar a ofensa.

 

O que se precisa crer sempre é que o outro, seja o amigo ou o cônjuge, são seres com quem Deus também fala; por isto, muitas vezes, é melhor que a nossa naturalidade no trato persista na direção do outro, sempre crendo que não é a nossa voz a única que fala, posto que Deus também fale; especialmente quando abrimos mão da gritaria e entregamos a questão ao amor e à verdade de Deus.

 

O momento relacional mais difícil é aquele no qual um dos implicados ou mesmo ambos, julgam que já se tornaram tão amigos ou íntimos, que o relacionamento já se cimentou de um modo tão concreto que já não mais se quebre.

 

Aí reside grande engano... Pois, o amor não acaba, mas pode entrar em um processo de tanto sofrimento, que, em razão disso, perca a felicidade no se dar.

 

Cada um de nós deve pensar nisto; e, mais que isto: deve ver com quem se perdeu a delicadeza de manter a amizade ou a conjugalidade como coisa nova todos dias; dando sempre ao outro a chance de amanhecer melhor para nós, e nós para ele; assim como são as misericórdias de Deus todos os dias, renovando-se a cada manhã.

 

Nele, que assim manda que seja, até 70x7,

 

Caio



Escrito por Emerson Bahia às 17h19
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O Fim de Todas as Tentações (glória ao diabo?)

Por Caio Fabio

A liquefação da alma humana é um fato tão real nesses dias de carência, de vazio de caráter e de perda da individualidade sadia, posto que a verdadeira individualidade tenha sido trocada pela persona de grife e de moda generacional a ser adotada como personalidade, que, hoje em dia, já não existe mais o ambiente da tentação.

 

Tentação pressupõe caráter, conteúdo, idéia, opinião, certeza, principio, fé e conduta segundo valores pessoais.

 

Sem tais coisas não existe tentação...

 

Ora, como a maioria desistiu dessas coisas há algum tempo, no máximo fazendo gestão pública do aparecimento ou não da coisa considerada “tentação” do ponto de vista das convenções, o que resta é que as pessoas existem cada vez mais apenas ante o que possam ou não possam, consigam ou não consigam, alcancem ou não alcancem — pois, de fato, poucos são ainda os que, podendo, não façam o que possam; conseguindo, não realizem os que conseguiriam; e, podendo alcançar, desistam de fazê-lo apenas por uma questão de principio.       

 

Hoje o que vejo muito é gente zangada com Deus por não as haver ajudado a cair em tentação... Sim, raiva de Deus por não ter transformado a obsessão na tentação em uma feliz resposta à oração.

Pouca gente hoje diz não à tentação...

A oração existencial é: “E não nos livre da tentação, mas apenas das conseqüências de seu mal contra mim!”

 

A questão que ficou ante o fenômeno do estar tentado é apenas a constatação de que se pode ou não fazer aquilo... Digo “pode” apenas do ponto de vista da exeqüibilidade ao não do desejo... Tentação se tornou apenas uma alternativa que pode ou não ser abraçada, dependendo de se conseguir manter a tentação em segurança.

 

Ou seja: Tentação não realizada é apenas aquela que não “rolou”... Pois, se “rolar”, e se “rolar com segurança”, a tentação já não será um problema.

 

De fato, para muitos, aí está a benção: entregar-se a tentação fugindo de suas conseqüências danosas, socialmente falando, e olhe lá...Hoje tentação é apenas o desejo que só não será realizado se o malandro achar que pode fazer muito mal a ele; pois, caso ele assim não veja a tentação como problema prático, a decisão de acolhê-la já está a priori abraçada pela maioria.

 

Cada vez menos se encontra gente que, podendo, não faça; que, conseguindo, não realize; que, desejando, não busque alcançar.

 

Leio as cartas que me mandam e vejo que no máximo o que acontece aos “crentes de hoje” é a culpa à posteriori, depois que tudo virou bosta...

 

Antes, no entanto, quase ninguém tem mais luta... A maioria vai mesmo... Assumiram que é irresistível... Abraçaram o mal como destino normal.

 

Tenho saudades do tempo em que as pessoas ainda lutavam contra a tentação. Sim, sou saudoso do tempo em que se dizia a si mesmo ante a tentação, que nenhuma tentação seria maior do que as nossas forças, conforme Paulo afirma.

 

Não! Hoje, quase que de modo geral, todo “crente” acha que toda tentação seja irresistível... E mais: sentem-se bobos quando não cedem a ela...

 

“Vigiai e orai para que não entreis em tentação” se tornou algo diferente: “Fique de olhos bem abertos para não perder a oportunidade da tentação, pois, pode ser que você nunca mais a tenha desse modo, com essa pessoa, com esse conjunto de benefícios, no caso de se ficar bem atento..., de olhos bem abertos, a fim de que não seja apanhado no flagra”.

 

Depois escrevem querendo saber por que o inferno parece com o inferno e perguntando por que a existência parece gerida pelo próprio diabo.

 

Olhe para dentro de você mesmo e você verá a diferença entre você e você mesmo; entre você hoje e você no tempo em que o caráter do Evangelho ainda existia em sua consciência.

 

Quando a tentação deixa de ser tentação, creia, é porque a alma já se liquefez e a pessoa nem percebeu... Virou pasta.

 

Nele, que foi tentado em todas as coisas, mas sem pecado,

 

Caio

 

P.S. Caráter? Consciência? Tá bom...Mas se vc não entendeu o texto, leia novamente...rs...É a sua cara!



Escrito por Emerson Bahia às 17h56
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